grão

by nuno sanches

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Nuno Morão
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Nuno Morão álbum primeiro de um dos primeiros amigos, semente vigorosa de uma variegada floresta de sons e palavras. Favorite track: tolo calado.
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Todas as músicas feitas por nuno sanches, regra geral a partir de 2 ou 3 notas que saíram da varanda - de onde se vê, a olhar para fora, um bocado de mar e um miolo do Porto. A olhar para dentro, vê-se também um desenho bonito na parede, e que se transformou em capa, e é da "coisinha boa da minha bida" Susana Maria Maciel. A letra d'"Os Mendigos" são palavras felizes e inspiradoras da Rita Madeira. O Tiago Ramos é o baixista e companheiro feliz no "tolo calado" e n'"A Gula". O Ricardo Cardoso canta feliz n'"A Gula". O Huguinho canta no "e tu gostas de amiguinhos", e o Hugo toca viola e fala ao telemóvel no "interlúdio doméstico". Ambos são a mesma pessoa, com uns 10 anos de diferença e adoraram reencontrar-se, como eu a todos que grão a grão ajudaram este a acontecer.

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released November 25, 2011

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nuno sanches Porto, Portugal

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Track Name: coisinha boa da minha bida
Coisinha boa
da minha bida
minha alegria
minha paixão
tu és coisinha tão bonitinha
e tens as chaves do meu coração

Coisinha boa
da minha bida
por onde andares
andarei contigo
mimo-te o corpo, faço carinhos
sou tudo teu, amante e amigo

Coisinha boa
da minha bida
se ficas triste
eu fico também
quero-te sempre com alegria
de Nova Iorque até Sacavém

Coisinha boa
da minha bida
faço a comida
e enfeito a mesa
quero-te tanto pertinho a mim
sem ti vida não tem surpresa

Coisinha boa
da minha bida
vamos fugir
os dois p'ra dist ante
sempre juntinhos e com amor
não vai faltar quem o nós nos cante

Coisinha boa
da minha bida
gosto de ti
mais do que de mim
quero-te sempre junto ao meu lado
a vida toda até ao fim
Track Name: tolo calado
Era um senhor muito calado
Bem discreto e ordenado
Aprumado e pueril
Tinha nas costas o passado
económicó-político
Do pré e do pós-abril
Foi ministro das finanças,
administrador de heranças,
sempre sério e bem fardado
com a roupa que o acaso
escolheu para o vestir

Democrata de sucesso
Arrebatou o Congresso
Com um discurso original

Que não fazia comentários
A essa e outra questão
A seu tempo ele diria
O que lhe vai no coração
No meio deste silêncio
Ficava a população
Em sentido descoberto
E a cantar este refrão

Tolo Calado Faz Figura de Avisado

De ministro a primeiro
Governou a tempo inteiro
Sem mostrar inquietação
Foi o líder pioneiro
Da Europa do dinheiro
Embalado em alcatrão
E chegou à Presidência
Com um toque de inocência
Asfixia muito vil
Lentamente lapidante
Dos últimos ares de Abril

Presidente comportado
Líder e chefe de estado
Só sabia responder


Que não fazia comentários
A essa e outra questão
A seu tempo ele diria
O que lhe vai no coração
No meio deste silêncio
Ficava a população
Em sentido descoberto
E a cantar este refrão

Tolo Calado Faz Figura de Avisado


Quando um dia de repente
O País meio doente
Foi pedir-lhe a salvação
E o povo todo na praça
À espera da resposta
Que lhes desse uma ilusão
E chegou o Presidente
Com postura e Altivez
Põe os óculos, abre o livro
E começa o seu discurso a dizer

(...)
Track Name: Grão
Dentro do que se diz pensamento
Está o motor do momento
Capataz incendiário
Livre, como é liberdade o tempo
Sementeira e crescimento
Que dispensa o comentário

Quando falta o pão na mesa
Roda o mundo sem certeza
Da dor faz o manifesto
E nunca faltam razões
Para amansar os corações
E cortar qualquer protesto

Mas um dia a coisa vai
Grão cá dentro e outro fora
Vai embora este desejo
Esta sede de consumo
Este choro de lamento
E a gente não faz por mal
Mas vai dando alimento
Aos mandões do capital


Fora do que se diz sentimento
Estão as rodas do momento
Combustão e manivela
Move, e Movimento é preciso
Corre os mares nada indeciso
Nossa ancestral Caravela

Quando as sobras do trabalho
Vão sempre p'ró espantalho
Que só divide por zero
E na luta por migalhas
Travamos em nós batalhas
P'ra vencer o clima austero

Mas um dia a coisa vai
Grão cá dentro e outro fora
Vai embora este desejo
Esta sede de consumo
Este choro de lamento
E a gente não faz por mal
Mas vai dando alimento
Aos mandões do capital
Track Name: A Gula
A gula afiambra o presunto
A gula engorda o defunto
Gula que atrai tempestade
Sem escolher caras ou idade

Gula do golo golelha
Golo de vinho ou groselha
Gula de guito e granel
Encher a mula de papel

A gula trucida o gaspacho
A gula começa por baixo
Gula de cerveja e enchidos
Já nos damos por perdidos

Gula do golpe de estado
Gula do pai fracassado
Gula de sexo sagrado
Cortar raíz ao passado

A gula infinita a pança
A gula que enrola na trança
Gula do bom gulaimar
O melhor é deixar estar

Gula do ventre bonito
Gula de bom gabarito
Gula do som ruminante
Trocar o passo dançante

A gula dos sete pecados
A gula dos recém-mestrados
Gula da sabedoria
Que enobrece a fantasia

Gula de um bom gulherite
Gula do remédio p'ra nevrite
Gula da sáude boa
Comprimidos tomados à toa
Track Name: Os Mendigos
Nas ruas há gente que morre
Com fome de poesia.
Veladamente,
(e não sem um toque de ironia)
Estendem a mão, à espera de um verso
Mas só lhes dão pão.

Nas ruas há gente que seca
Com sede de utopia.
Perdidamente,
(e sem uma gota de ironia)
Abrem a boca, à espera de um sonho
Mas só lhes dão pão.

Nas ruas há gente que já morreu
Por não ter fome nem sede.
Caridosamente,
(têm pena dos mendigos!)
Atiram pão a quem esmola e eles
Só comem do pão que lhes dão.
Track Name: Que pequenino
Que pequenina casa
Que pequenina carro
Que pequenina roupa
Para os olhos não se poupa

Que pequenino juro
Que pequenino apuro
Que pequenina taxa
Não sobra pão nem bolacha

Que pequenino santo
Que pequenino céu
Que pequenina cruz
Vive dentro e apaga a luz

Que pequenina terra
Que pequenina gente
Que pequeninos são
P'ra fazer revolução

Que pequenino sou
Que grandes que nós somos
Que gigantes caminhos
Temos por atravessar

Que pequenina noite
Que pequenino dia
Que pequenino o tempo
P'ra abraçar esta utopia

Que pequenina a hora
Em que não me fui embora
Que pequenino mês
E já passou outro outra vez

Que pequenino ano
Que pequenino engano
Que pequenina vida
Sempre medo da saída

Que pequenino abono
Que pequenino sono
Que pequenino amor
Só me deixou esta dor
Track Name: e tu gostas de amiguinhos
Olha a Nau Catrineta e tu gostas de pus!


Valsa dos Amiguinhos

para os meus amiguinhos
eu tive que pôr na canção uns sininhos
perdoem o pimba, o piroso o foleiro
mas eu fico assim como um belo azeiteiro

quando me toca aqui no coração
eu não funciono de improvisação
por isso esta rima assim é preciso
como prova de amor de guitarra e sorriso

na boca que canta e na mão que tirou
o véu da prendinha que só me espantou
a visita surpresa o carinho o abraço
que são o que chega para vencer o cansaço

dos combates que suspiramos calados
que mais fáceis ficam quando partilhados
no riso (ou à mesa / em jantares) em passeio ou em choro
e para acertar vou meter mais um coro

e pronto era isto que eu queria afinal
uma canção simples não intelectual
não aborrecer não criar-vos enfado
no fundo dizer simplesmente obrigado